Por Victor Silva
Quando comecei a praticar desporto, tinha sensivelmente
quinze anos, não sabia bem porque treinava, só sabia que
gostava, e para mim chegava. Ninguém da família fazia
qualquer tipo de desporto, não tive qualquer tipo de
incentivo ou apoio, mas também não fez falta. Mais
tarde, e ao longo dos anos, fiquei com a certeza que era
importante, para a saúde, e para o meu desenvolvimento
físico.
Talvez motivado pelos filmes do Bruce Lee, cedo comecei
a praticar artes marciais.
Cheguei a 1° Dan de karate facilmente, pois o gosto e a
dedicação com que praticava a modalidade era enorme.
Adorava os treinos, mas detestava correr, aliás, sempre
detestei. O meu percurso desportivo, levou-me através
dos anos, a praticar Taekwondo, e o meu Mestre na
altura, levou a turma, para um treino diferente, à Mini
Maratona da Moita, isto em Outubro de 2004 se não estou
em erro. Gostei tanto da experiência, que passados
poucos meses, decidi abandonar o Taekwondo e começar a
praticar atletismo regularmente.
Para quem não gostava de correr, ainda me lembro quando
estava na tropa, em que era sempre o último nas
corridas, foi uma reviravolta enorme. Comecei nas Minis
das pontes, e em Abril de 2005 fiz a minha primeira meia
Maratona, na Figueira da Foz, com o tempo de 01h47m10s.
Claro que fiquei todo contente, pois naquela altura,
achava que era razoável, correr uma Meia Maratona em
duas horas e a Maratona em quatro. Nesse ano fiz seis
Meias Maratonas, e uma Ultra Maratona, o Raid.
Começou assim o meu percurso no atletismo, contando hoje
com 28 Meias Maratonas, 12 Maratonas e 12 Ultra
Maratonas, quem diria. Partindo do princípio, que não
estou a ficar mais novo, e que comecei a correr bastante
tarde, espero ainda fazer uma boa marca à Maratona.
Quando isso acontecer, então depois espero desfrutar
mais calmamente o atletismo. Cada corrida é diferente,
mas parecendo todas iguais. Devido às corridas conheci
alguns países, que provavelmente não conheceria se não
fosse o atletismo, fiz imensas amizades, e cada vez
conheço mais pessoas, dos mais diversos escalões sociais
e etários. Alias, é uma das coisas que gosto no
atletismo, ali, somos todos iguais, não há diferenças,
estamos todos a viver o momento desportivo.
Espero que a minha evolução como ser humano, e através
da corrida, tenha sido positiva. Por vezes, não presto
tanta atenção aos pequenos detalhes da vida pessoal como
devia, mas tento corrigir isso a cada dia que passa. Sem
o apoio da família, “esta corrida” não valeria a pena, e
tento sempre que eles estejam presentes. Como atleta,
penso que é sempre possível melhorar o nosso desempenho,
mas levando sempre a “competição” com um bocadinho de
humor.
Prezo mais a amizade desinteressada e franca, do que
quem fica à frente de quem.
Até quanto podemos exigir do nosso corpo em termos
desportivos? Cabe a cada um de nós decidir. Será que há
limites? Será que esses mesmos limites não serão
temporais? Será que as provas extreme serão
prejudiciais, quando são as que mais satisfação nos dão?
O corpo humano é uma máquina bem afinada, e no fim,
caberá a ele decidir. O que interessa é sentirmo-nos bem
a praticar desporto, seja o atletismo, ou qualquer outro
tipo de actividade física.
Hoje eu já corri
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